segunda-feira, 25 de maio de 2009

As histórias em quadrinhos como fonte de investigação e documentação histórica: Uma análise textual e visual da obra Mafalda, de Quino!

E já dizia o velho ditado:

”Uma imagem vale mais que mil palavras”

E é com o propósito de esmiuçar essa importância que a imagem tem para a comunicação e compreensão da sociedade e pelo ser humano em geral que analisarei as histórias em quadrinhos do ponto de vista histórico-cultural, tanto como promotoras de ideologias que cercam o imaginário popular, sejam elas utilizadas como fonte de pesquisa histórica ou como arquivo documental de sua época.

As histórias em quadrinhos tiveram a sua origem no início do século XX, quando, aliadas a busca de novas formas de se produzir e fazer comunicação ao conceito de Mass media[1] e a conseqüente modernização dos meios de produção de comunicação, tais como a tipologia, os materiais usados, ETC se incorporaram à sociedade de maneira definitiva e irreversível.

As histórias em quadrinhos possuem uma característica própria que lhes é muito peculiar e persiste até hoje, o uso de “balões”, que é onde os textos, ou seja, as falas dos personagens são inseridas. De acordo com JARCEM (2007):

“Entre os precursores estão o suíço Rudolph Töpffer, o alemão Wilhelm Bush, o francês Georges ("Christophe") Colomb, e o brasileiro Ângelo Agostini. Alguns consideram como a primeira história em quadrinhos a criação de Richard Fenton Outcalt, The Yellow Kid em 1896. Outcalt essencialmente sintetizou o que tinha sido feito antes dele e introduziu um novo elemento: o balão. Este é o local onde se põe as falas das personagens.”

Porém, esta característica não deve ser erroneamente levada a cabo sempre que nos depararmos com uma HQ[2], pois muitas vezes a HQ se utiliza muito mais da imagem do que dos textos para propor a compreensão da história, pois O conceito de história em quadrinhos é amplo e diversificado por possuir variadas formas de linguagem e interpretação à sua constituição. Em uma HQ, imagem e narrativa se unem formando um meio de comunicação singular, que traz diversas perspectivas de compreensão, dependendo do público que as lêem (Espaço e tempo na arquitetura e HQ, 2009).

Dessa forma, fica muito evidente que as HQ’s são muito mais do que uma mera junção de texto e imagem, é um meio singular e único, e carregado das influências do instrumental intelectual da época, pois segundo JARCEM Apud DUTRA (2007):

“As Histórias em Quadrinhos, como todas as formas de arte, fazem parte do contexto histórico e social que as cercam. Elas não surgem isoladas e isentas de influências. Na verdade, as ideologias e o momento político moldam, de maneira decisiva, até mesmo o mais descompromissado dos gibis (...)”.

É exatamente sobre esta característica que desenvolverei o meu trabalho, pois se nem mesmo o mais descompromissado dos gibis pode escapar das influências e do momento político em que está inserida, ela pode se tornar um ótimo referencial de pesquisa e documentação histórica de sua época, a exemplo da música, do teatro, do cinema e de outras manifestações artísticas.

Em um contexto sociocultural, a década de 1920, que é quando as HQ’s surgem, está em uma efervescência altíssima, com o advento da modernidade, com as fábricas e suas novas formas de produção (com o modelo Fordista de linhas de produção), a recém-saída de um conflito de proporções nunca antes vistas no mundo, o desenvolvimento de uma burguesia fortemente amparada pelo poder do capital e uma valorização ao conhecimento técnico. Já no campo cultural, há uma constante massificação dos meios de propagação de cultura, variantes e gêneros culturais surgindo como produtos saindo de fábricas e uma constante massificação dos meios já existentes, com o capital tomando de assalto a cultura, transformando-a em produto gerador de lucro. A cultura torna-se produto facilmente produzido e descartado em uma sociedade que vai perdendo a sua individualidade para se concentrar em um modelo “médio” e homogêneo. A cultura perde o seu status de questionadora da realidade e objeto de fruição e passa a ser mais um produto a ser consumido, mais uma idéia que o capital apropriou para a manutenção de seu domínio e propagação de sua ideologia.

O uso de instrumentos culturais para influenciar o instrumental intelectual da época desenvolveu-se bastante no início do século XX, com o advento do rádio, a popularização dos jornais e o surgimento das HQ’s, pois com isso, poderia se facilmente incorporar conceitos, idéias, atitudes e outras formas de manipulação a uma cada vez maior sociedade, faminta de entretenimento e informação. É de fundamental importância que se leve em consideração tudo isso quando falamos de processos influenciatórios, pois segundo WOLF (1999):

“(...) a eficácia dos mass media só é susceptível de ser analisada no contexto social em que funcionam. Mais ainda do que do conteúdo que difundem, a sua influência depende das características do sistema social que os rodeia. Os efeitos provocados pelos meios de comunicação de massa «dependem das forças sociais que predominam num determinado período» (Lazarsfeld, 1940, 330). Por conseguinte, a teoria dos efeitos limitados deixa de salientar a relação causal directa entre propaganda de massas e manipulação da audiência para passar a insistir num processo indirecto de influência em que as dinâmicas sociais se intersectam com os processos comunicativos”.

É a partir desse período que a influência das HQ’s [e de outras formas de mass media] sobre o imaginário popular começa a tomar forma, principalmente nos períodos de Guerras, quando o “super herói”, com seus super poderes e honestidade, passa a se sacrificar para “defender a liberdade e a democracia”, ainda que estas duas sejam apenas uma visão de si própria que a sociedade construiu. Quando a partir de um “híbrido” marinho, fica evidente a preocupação com a destruição do meio ambiente e a necessidade de haver um “guardião” para protegê-la.

Contextualmente, o uso das HQ’s e outras manifestações artísticas e mesmo textos de outras disciplinas humanas ou exatas como fonte histórica só começou a ser aceito após o advento da “Nova história”, a partir de 1929, quando Lucien Febvre e Marc Bloch fundaram a Revista dos Annales (Annales d’histoire économique e sociale). Os dois autores eram radicalmente contra o modelo de historiografia proposto e aceito até então, em que dominavam o contexto político e econômico apenas, além do uso de fontes estritamente documentais e oficiais, além de um subjetivismo gritante. Propunham como alternativa um modelo de história-problema, em que as fontes deveriam ser buscadas e interpretadas a partir das hipóteses do próprio historiador. A partir desse movimento, chamado de “Nova história”, absolutamente toda a produção humana, sendo cultural, econômica, mental, artística, ETC passou a ser considerado como possível fonte histórica e natural contador da história de seu tempo. Mas somente em 1974, com a publicação de Jacques Le Goff e Pierre Nora de “Faire l’histoire”, um compêndio de autores preocupados com os novos objetos e problemas da nova história é que a diversidade de objetos de valor documental para a historiografia foi amplamente divulgada. No trabalho em questão poderiam ser encontrados trabalhos sobre o clima, o inconsciente, o mito, o cotidiano, as mentalidades, a língua: Lingüística e história, livro, jovens e crianças, saúde e doenças, opinião pública, cozinha, cinema, festa, Além de uma determinação interdisciplinar de suas perspectivas, com mapas metereológicos, processos químicos, documentos de ministérios da agricultura, relatos de incêndios, cartas sobre catástrofes climáticas do passado, diários, biografias, romances, estudos psicanalíticos, psicologia da arte, releitura dos clássicos greco-romanos, o discurso mítico, antropologia cultural, culto de santos, doutrinas religiosas, livros pornográficos e clandestinos, estatísticas de publicações diversas, ilustrações, caricaturas, jornais, manuais de bons hábitos, fotografias, literatura médica, receituários, dietas alimentares, documentos de ministérios da saúde sobre epidemias, escrituração de estabelecimentos voltados ao abastecimento, contas da assistência pública, estudos de biologia, cardápios de hospitais e listas de compra, menus de restaurantes, arte culinária, utensílios de serviços de mesa, sondagens de opinião pública, depoimentos orais, filmes mudos, sonoros e coloridos, filmes de propaganda política, festas de loucos, fantasias, comemorações nacionais, bailes, cores, programas de festas públicas e particulares, homenagens, músicas, celebrações religiosas, discursos, trajes especiais e uma infinidade de outros mais.(JANOTTI, Maria de Lourdes, 2009).

Ao longo da sua trajetória na sociedade, as HQ’s muitas vezes tiveram papel importante no instrumental intelectual popular, seja como forma de levantar o moral da mesma, como forma de retratar o mundo ideal a que a mesma desejava ou para escapar da realidade cruel que os assolava, sempre com gêneros e subgêneros que alimentavam o imaginário popular a partir dos seus anseios na época, como no caso do CRACK da bolsa de valores, em 1929 nos USA, em que as HQ’s cresceram, principalmente nos gêneros de ficção científica, policial e as aventuras na selva. Já a partir das décadas seguintes, a partir dos anseios da sociedade, novos gêneros e subgêneros foram surgindo e sendo lançados continuamente em um processo que perdura até atualmente.

A influência das HQ’s e dos outros massmedia se desenvolveu bastante, em parte por conta de um fenômeno social que tomou forma com o advento da revolução industrial e da sua conseqüente massificação e padronização da produção humana, principalmente no ocidente. Esse fenômeno, que é chamado de indústria cultural está intimamente ligado à história da comunicação e também do entretenimento desde o final do século XIX. Tomando como exemplo o desenvolvimento acelerado da indústria de bens de consumo após a revolução industrial, outros setores da sociedade baseada no sistema capitalista passaram a se aproveitar do modelo bem sucedido de padronização proposto pelas novas linhas de produção fordistas e, discretamente passaram a adotar o mesmo em suas respectivas áreas de produção. A sutileza com a qual estes modelos foram incorporados se baseia principalmente no fato de que tal “manobra” é entendida por quase a totalidade da sociedade como um acontecimento “natural”, o que não acontece, embora tenha uma parcela de participação na produção da indústria cultural, a sociedade com o passar dos tempos passou de principal produtora a mera espectadora, conforme ADORNO (2009) explica no trecho a seguir:

“(...) se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas, em suma, da forma contemporânea da arte popular. Ora, dessa arte a indústria cultural se distingue radicalmente. Ao juntar elementos de há muito recorrentes ela atribui-lhes uma nova qualidade. Em todos os seus ramos fazem-se, mais ou menos, segundo um plano, produtos adaptados ao consumo das massas e que em grande medida determinam esse consumo. Os diversos ramos assemelham-se por sua estrutura, ou pelo menos ajustam-se uns aos outros. Eles somam-se quase sem lacuna para constituir um sistema. Isso, graças tanto aos meios atuais da técnica, quanto a concentração econômica e administrativa. A indústria cultural é a integração deliberada, a partir do alto, de seus consumidores. Ela força a união dos domínios, separados há milênios, da arte superior e da arte inferior. Com prejuízo de ambos. A arte superior se vê frustrada de sua seriedade pela especulação sobre o efeito; A inferior perde, através de sua domesticação civilizadora, o elemento de natureza resistente e rude, que lhe era inerente enquanto controle social não era total. Na medida em que nesse processo a indústria cultural inegavelmente especula sobre o estado de consciência e inconsciência de milhões de pessoas às quais ela se dirige, as massas não são, então, o fator primeiro, mas um elemento secundário, um elemento de cálculo; Acessório da maquinaria. O consumidor não é rei, como a indústria cultural gostaria de se fazer crer, ele não é o sujeito dessa indústria, mas seu objeto.

A partir da década de 1930 os quadrinhos também passaram a atrair também a atenção política, pois com o lançamento de Superman em 1938, o primeiro Super-herói com identidade secreta e super poderes, às vésperas da segunda guerra mundial, fervilharam contraposições sobre o mesmo, segundo JARCEM (2007):

“(...) Quando superman surgiu em cena foi logo colhido pela confusão vigente. As pessoas de esquerda no mundo inteiro, desde o princípio, acusaram-no de ser símbolo do imperialismo norte-americano e, de quebra, da arrogância fascista. Já os políticos linha dura do Partido Republicano viram nele a personificação do tal superman nazista. Nas palavras dos assessores de Hitler, o Superman não passava de um judeu.”

Esta confusão retrata bem a penetração das HQ’s no universo imaginário popular, pois a sociedade norte-americana chegar ao ponto de condenar uma criação fictícia como modelo de influência e apoio a uma ação política levada a cabo por outro país com um oceano inteiro de distância em tempos de guerra só pode significar a penetração profunda que este tipo de história conseguiu no seio da sociedade, assim como outras formas de entretenimento da época, tais como o cinema, o rádio e, ainda timidamente, a televisão. As autoridades já nessa época sabiam do potencial de influência das HQ’s e a utilizaram de forma abrangente para elevar o moral de seus soldados e do povo, principalmente após a entrada dos USA na segunda guerra mundial.

Já na década seguinte, os quadrinhos sofreram um duro golpe, pois o lançamento de “A sedução do inocente”, do psiquiatra alemão Frederic Wetham, que argumentava sobre o “verdadeiro intento subversivo” dos quadrinhos, acusando-os de subversão juvenil, incitação à violência, corrupção e delinqüência juvenis, além do “sadomasoquismo” e “homossexualismo[3]” que, segundo o autor, permeavam vários dos personagens mais famosos da época. O estrago estava feito e HQ’s passaram a ser queimadas em praça pública e vários protestos realizados contra essa forma de comunicação de massas. Dessa forma a indústria de HQ’s temendo uma possível intervenção do governo, criou um “selo de ética”, em que regulamentaria as “ações” das HQ’s, como não mais aparecer à palavra crime nas capas, o bem sempre vencer o mal no final, não conter nenhuma referência negativa as autoridades, dentre outros absurdos. A tentativa deu certo e nenhuma intervenção ocorreu. Paralelamente a isso, na Europa, as HQ’s gozavam de liberdade e produziam histórias sobre todos os aspectos. Já no próprio USA, surgiu uma indústria underground, que continuou publicando histórias que iam de encontro ao tal “código de ética” dos quarinhos até então. Nesse turbilhão, com o lançamento em uma tira de jornal “Peanuts” (na versão traduzida para o português, ficou conhecido como A turma do Charlie Brown), de Charles M. Schulz. Uma HQ sobre um grupo de crianças em que o principal personagem, Charlie Brown é um menino inseguro, perdedor nato que simboliza a inocência, a falta de atitude e a ingenuidade, em contraste com essas características temos Snoopy, o cão de Charlie Brown, um beagle filosófico que fica a maioria do tempo em cima de sua casa vermelha. Pode-se dizer que, a partir de Peanuts chegou à era dos quadrinhos intelectuais, quando houve uma atenção maior aos textos do que as imagens.

Na década de 1950, os quadrinhos passaram a retratar (e influenciar) as pessoas sobre o “medo” tão recorrente no pós-guerra, a ameaça nuclear, a guerra fria e os “comunistas comedores de criancinhas” tomaram conta tanto da sociedade como das HQ’s, com histórias do Capitão América voltadas para combater os comunistas e outros elementos mais sutis, como Namor combatendo foices e martelos aquáticos. Tudo isso para atacar qualquer tentativa soviética contra o “American Way of Life”, principalmente após o término da guerra e a polarização das forças mundiais nas duas grandes potências.

Já a partir da década de 1960 tem-se início a “Era de prata” dos quadrinhos, com a popularização dos super-heróis com super poderes e identidades secretas, além do retorno de muitos dos personagens da “Era de ouro”, como mulher-maravilha, Superman, Batman entre outros. É nessa época que surge o Quarteto fantástico, criação de Kack Kirby e Stan Lee. O quarteto é uma obra que rompe com todos os paradigmas das HQ’s de super-heróis até então, pois os membros não possuem identidade secreta, são uma família e o principal mentor, Reed Richards prefere muitas vezes usar o intelecto aos super poderes (a exemplo do Batman, mas nesse caso o “homem morcego” não possui super poderes, apenas um infinito arsenal de equipamentos e armamentos). O quarteto fantástico foi uma das armas dos USA durante a guerra fria, principalmente durante a corrida espacial. O Quarteto Fantástico foi à resposta dos quadrinhos ao apelo do dirigente da nação. Eles personificavam a nova era espacial, na qual seus heróis estavam dispostos a arriscar tudo, até mesmo à própria vida, para estar a um passo adiante da ameaça vermelha. Já na primeira edição de Fantastic Four, Sue Storm não poupa esforços para persuadir o relutante Ben Grimm a pilotar o foguete desenvolvido por seu amigo Reed Richards. “Ben, nós temos que tentar! A não ser que você queira que os comunistas cheguem à frente”. (JARCEM, 2009)

Paralelamente a isso e, aproveitando-se do sucesso do quarteto, surge uma infinidade de novos heróis, alguns em “atividade” até hoje, sendo os casos mais notórios: O homem-aranha, Hulk, Thor, Homem de ferro, X-men, ETC. Alguns mostrando os “perigos” da radiatividade, como no caso do Hulk e do Homem-aranha, outros mostrando o efeito das inovações tecnológicas, como o Homem de ferro e outros sobre alterações biológicas, como no caso dos X-men, ainda se tem a busca da interferência divina sobre a sociedade, como no caso de Thor.

Na década de 1970 surge uma verdadeira indústria dos quadrinhos underground com o lançamento de vários títulos vendidos em “head-shops” e de mão em mão. A mais representativa obra dessa década se chama Metal Hurlant e é criação de vários autores franceses sob o pseudônimo de Les humanöides associèes. Tal revista chegou a América com o título de Heavy Metal e misturava uma verdadeira gama de estilos e gêneros como uma diagramação nova, literatura, corpos nus, ficção científica, viagens psicodélicas e Rock n Roll.

A década de 1980 por sua vez, ficou marcada pela criação das Graphic novels (ou romance adulto) direcionado ao público adulto, tendo como maior destaque a obra Batman, o cavaleiro das trevas, de Frank Miller. Obra que explorava os conflitos existenciais do Homem morcego e o colocava em um novo patamar de desenvolvimento, além de super heróis, outros tipos de histórias foram publicadas como graphic novels, dentre as de maior destaque estão Whatchmen de David Gibbons e Alan Moore e Sandman, de Neil Gaiman, que revolucionou a forma de se fazer quadrinhos com volumes que são verdadeiras obras de arte, ilustradas por renomados artistas contemporâneos, textos densos e recheados de literatura e várias referências ao mundo atual. Essa nova forma de quadrinhos continua sendo a mais popular hoje em dia, com milhões de cópias vendidas atualmente.

As décadas de 1990 e 2000 marcaram respectivamente, uma separação dos grandes desenhistas das grandes editoras de quadrinhos, alguns deles criando a “Image comics”. A partir dessa década se pode notar a influência da computação nas criações, com a colorização feita no computador, além da influência do estilo japonês de quadrinhos, o Manga. Após os ataques de 11 de Setembro de 2001 tanto os roteiristas quanto os desenhistas de HQ’s resolveram praticar uma volta às origens, principalmente á era de prata, de meados da década de 1980, tanto no estilo de desenho como nos roteiros.

Fato consumado é o de que as histórias em quadrinhos exercem grande fascínio sobre o imaginário popular, pois é fruto das necessidades e da criatividade da mesma. Independentemente de visões políticas, influências ideológicas ou movimentos econômicos, elas refletem também o momento histórico-político-social em que a sociedade está inserida, seja na forma de uma ficção, seja na forma de um documentário sobre determinada realidade, uma biografia, dentre tantas outras formas, o fato é que as HQ’s se transformaram além de brincadeira de crianças, em um documento importante do relato social e cultural de sua época.

Como exemplo, posso citar as várias aparições do recém-eleito 47° presidente dos USA, o Sr. Barack Obama, que ilustrou uma edição exclusiva ao lado do Homem-aranha e apareceu até em mangá erótico japonês, fato este que revela a grande popularidade do primeiro presidente afro-descendente eleito por vias democráticas na maior potência mundial e, de certa forma, representante direto da esperança de uma relação mais próxima e democrática desse país com o restante do mundo.

Uma obra que condensa bem todos esses aspectos, aliados a contestação do mundo e da crítica ácida aos modelos, tanto sociais, como políticos e econômicos é a Mafalda, do quadrinista argentino Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino.

A obra Mafalda, surgiu em um período bastante tenso da história contemporânea, a década de 1960, com as suas revoluções, sua busca por liberdade, tanto sexual, como de expressão, a luta contra o “perigoso comunismo”, a luta contra as ditaduras, pois conforme JUVA (2006):

Tempos de exceção propiciam o aparecimento de arranjos sociais e criações artísticas ímpares. A década de 1960 parece ter sido a época que mais materializou essa máxima. A contracultura na América do Norte deu um salto por sobre os muros do conformismo e da tradição. Em pouco tempo vimos surgir o sexo livre, o movimento hippie, a literatura beat, o consumo de drogas para a expansão da consciência, as lutas pelos direitos civis, etc. As margens começaram a dar uma expressão artística e social para os anseios de liberdade e criatividade. Personas marcantes surgiram nessa época, como Jimi Hendrix, Allen Ginsberg, Malcom X, Martin Luther King. Na América do Sul, grassava o espírito das ditaduras e o desejo “facistoíde” de engendrar povos “fortes” e livres da “ameaça” comunista. Mas a alma libertária também tinha seus espaços. O suficiente para que em 29 de setembro de 1964, surgisse na argentina uma menininha que encantaria o mundo e permaneceria até hoje como símbolo de contestação e liberdade. Seu nome? Mafalda, uma garota de seis anos, que surge para colocar o mundo de ponta-cabeça. Ela aparece para desconstruir as visões conservadoras sobre a política, moral, econômica, cultural.

Mafalda é uma menina de seis anos em sua constante guerra contra o mundo convencional. Adotando uma postura radical contra as guerras, as armas nucleares, a injustiça em geral, o racismo e com a sopa, ela vai de encontro às convenções dos adultos e busca outros interesses, como a paz mundial, a democracia e os direitos humanos carregada com uma singelidade e sinceridade que obviamente só podem ser encontrados em uma criança.

O contexto social em que a obra surge dá a margem de que a mesma foi criada inicialmente com o propósito de contestar o mundo e dar “cutucadas” sutis no poder, porém uma curiosidade que é pouco conhecida sobre esta obra é que ela, inicialmente deveria fazer parte de uma propaganda de eletrodomésticos, conforme o Miguel Brascó (2001) no livro Mafalda inédita revela:

“(...) Quino havia comentado comigo que andava com vontade de desenhar uma tira com crianças (...). Certo dia telefonaram da Agens publicidad e me pediram um desenhista capaz de criar uma tira em quadrinhos para ser publicada dissimuladamente em algum veículo, fazendo a promoção dos eletrodomésticos Mansfield, produzidos por Siam Di Tella. A pessoa que falou comigo chamava-se Briski (...) Brascó disse a Quino: “Quinoco, pra mim você é o indicado” e sugeriu-lhe que imaginasse uma história em quadrinhos combinando Peanuts com Blondie (...) O autor esboçou uma família-tipo, na qual podemos reconhecer Mafalda e seus pais, respeitando uma regra de ouro da agência: o nome de todos os personagens deveriam começar com “M”. Quino lembrava-se de que no romance de David Viñas, “Dar la cara”, havia uma menina chamada Mafalda; Achava um nome alegre e adotou-o para sua protagonista. (...) A agens resolveu entregar a tira ao jornal “Clarín” em troca de não cobrarem o espaço. Mas o jornal percebeu a propaganda encoberta e o acordo foi rompido. A campanha não se realizou e os produtos Mansfield – por motivos alheios a este- nunca chegaram a entrar no mercado.

Chega a ser cômica esta história e mostra, de certa forma a pretensão da indústria de se apoderar da cultura para “vender” um produto, tornando a produção cultural como um meio de se obter lucro e não um objeto de fruição e apreciação. Devemos muito a observação criteriosa do jornal “Clarín” que impediu que um dos ícones da contracultura ocidental contemporânea se tornasse mais um produto da indústria cultural, pois de outra forma, nossa querida Mafalda se tornaria não uma contestadora ferrenha dos modelos “errados” do mundo e sim apenas mais uma garota-propaganda.

Conforme explicitado anteriormente, a utilização dos quadrinhos como documentos de registro histórico e fonte de informações sobre determinada época é perfeitamente possível e aceitável do ponto de vista acadêmico, de acordo com os preceitos de novas fontes históricas proposto pelos historiadores da escola dos Annales. Como exemplo, citarei uma tira de Mafalda, contida no livro Mafalda Inédita, de QUINO (2001):

“(...) no dia 17 de outubro a China fez explodir sua primeira bomba atômica, tornando-se a quinta potência nuclear no mundo. U-Thant (presidente da ONU na época) qualificou a experiência como “lamentável”, ao passo que a agência Nova China apressou-se a acalmar os ânimos, dizendo que o artefato tinha apenas de acabar com o monopólio nuclear.

Figura 1 - Página 015 do livro Mafalda inédita, QUINO, Ed. Martins fontes, São Paulo. 2001

As figuras acima nos dão muito bem um interessante ponto de vista do contexto histórico-político-social da época, conforme explicitado no trecho acima, com a deflagração da primeira bomba nuclear pela China comunista e o crescente “medo” do holocausto nuclear que atingia todo o ocidente, classificados por Mafalda como histeria coletiva. Há outros exemplos igualmente relevantes em toda a obra de Quino, que sempre dava um jeito de cutucar a sociedade e o poder com sua sutileza ácida através de seu alter-ego, a menina Mafalda.

Mafalda também rompeu com muitos preconceitos vigentes na época, a começar por ela própria, uma menina, ser protagonista de uma história em quadrinhos, passando pela forma de Quino escrever suas tiras, sempre atuais e com as inquietações gerais, tanto nacionais como internacionais, conforme o livro Mafalda inédita revela:

“como toda pessoa que trabalha num meio de comunicação deve adaptar-se a sua modalidade jornalística e, sendo “Primeira Plana” um semanário de atualidades nacionais e internacionais, Quino tentou refletir as inquietações da época. As referências feitas nas tiras à China, a África, á America latina e a condição feminina têm a ver com o fato de então se acreditar firmemente que o terceiro mundo e a mulher conseguiriam reverter a sua situação de subjugados”.

Figura 2 - Página 016 do livro Mafalda inédita, QUINO, Ed. Martins fontes, São Paulo. 2001

A forma de Quino manifestar a crença [da época] de que a situação da mulher seria superada está na forma ácida com a qual critica o fato de sua mãe ter largado a faculdade [e o conseqüente desenvolvimento intelectual] para se dedicar a família, mostrando outra contradição da época, pois nessa época as lutas pela emancipação da mulher estavam a pleno vapor e, conseqüentemente um “abandono” da família foi surgindo, cabendo a mulher a difícil decisão de se manter dedicada e fiel a família ou se emancipar e atingir áreas que, até então eram exclusivas dos homens, como o mercado de trabalho e as posições de liderança, tanto na área financeira e produtiva como política, além de uma maior responsabilidade do homem nas questões familiares e no cuidado com a família.

Figura 3- Página 067 do livro Mafalda inédita, QUINO, Ed. Martins fontes, São Paulo. 2001

Falando sobre seu tempo, em esfera nacional ou internacional, criticando ferrenhamente os modelos de consumo e sociedade de sua época ou gritando por igualdade e pelo fim das injustiças, Mafalda se tornou um ícone da cultura de resistência do século XX, além de um importante registro histórico das contradições, anseios, problemas e [falta] de ações concretas de todo um modelo de sociedade e o continua sendo até hoje. Mais de 30 anos após o fim da publicação da tira, os assuntos abordados [e criticados] por Mafalda continuam em voga na sociedade e atualíssimos, o que nos leva a pensar se não seria à hora de uma volta da “Anti-menina dos olhos” para nos dar uns cutucões.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADORNO, Theodor W: A indústria cultural. Disponível em: < http://www.scribd.com/doc/7429346/Theodor-Adorno-A-Industria-Cultural > Acesso em 13/05/2009.

Espaço e tempo na arquitetura e HQ, Capítulo 02. Disponível em:
< http://www.scribd.com/doc/7106571/Cap-02 > Acesso em 11/05/2009.

JANOTTI, Maria de Lourdes. Fontes históricas. (org. PINSKY, Carla Bassanezi; BACELLAR, Carlos; GRESPAN, Jorge) Editora contexto, 2° Ed. Disponível em: < http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=NBZAQqhwy7UC&oi=fnd&pg=PA5&dq=%22Pinsky%22+%22Fontes+hist%C3%B3ricas%22+&ots=5QAUtfj8MK&sig=xkOWnjDNxxeBKZb_FlqgJFlKYSk#PPA11,M1> Acesso em 11/05/2009.

JARCEM, René Gomes Rodrigues: História das histórias em quadrinhos. Disponível em:
< http://www.historiaimagem.com.br/edicao5setembro2007/06-historia-hq-jarcem.pdf > Acesso em 11/05/2009.

JARCEM, René Gomes Rodrigues Apud DUTRA, Joatan Preis: História das histórias em quadrinhos. Disponível em:
< http://www.historiaimagem.com.br/edicao5setembro2007/06-historia-hq-jarcem.pdf > Acesso em 11/05/2009.

JUVA in OVERMUNDO: Malfalda: A anti-menina dos olhos. 2006. Disponível em < http://www.overmundo.com.br/overblog/mafalda-a-anti-menina-dos-olhos > acesso em 14/05/2009

QUINO Apud Miguel Brascó: Mafalda: Inédita. Ed. Martins fontes, São Paulo 2001, páginas 08 e 09.

QUINO: Mafalda: Inédita. Ed. Martins fontes, São Paulo 2001, páginas 13, 15, 16 e 67.

UVA Comunica, Apud A. Moles, (La Communication et les mass media, Gérard - Marabout, 1971). Mass Media. Disponível em: < http://uvacomunica.wordpress.com/2008/04/11/mass-media/ > Acesso em 11/05/2009.

WOLF, Mauro: TEORIAS DA COMUNICAÇÃO. Mass media: conceitos e paradigmas. Novas tendências. Efeitos a longo prazo. O newsmaking. Editorial Presença, 5° Ed. 1999. Disponível em:
< http://www.scribd.com/doc/6883835/TEORIAS-DA-COMUNICACAO > Acesso em 11/05/2009.



[1] Os “mass media” são ao mesmo tempo canais de difusão e meios de expressão que se dirigem não a um indivíduo personalizado, mas a um “público-alvo” definido por características socioeconômicas e culturais, em que todos os receptores são anônimos. (A. Moles, La Communication et les mass media, Gérard - Marabout, 1971).
[2] HQ é uma abreviação de História em quadrinhos.
[3] A grafia homossexualismo, que compreende que a homossexualidade é uma doença, foi utilizada até meados da década de 1970, quando foi retirada dos guias de doenças mentais, por não ser mais considerada uma doença e sim um estado de consciência humana. Neste caso, optei pela grafia utilizada na época para dar mais sentido ao texto.

sábado, 8 de novembro de 2008

O fenômeno Obamania, o "salvador da pátria" ¬¬'

Já faz algum tempo que venho observando o quanto o candidato à presidência (e agora 44º presidente) dos U$A, o Sr Barack Obama, tem causado frisson no mundo todo. O que mais me deixa encucado é a quantidade de pessoas no mundo todo que acham que ele será o "salvador da pátria" e que, todos os problemas de todos os outros 42 ou 43 presidentes americanos serão resolvidos. Mas antes de entrar nos assuntos polêmicos, vou considerar sobre essa eleição e esse candidato.

Todos nós já sabemos da origem de todos eles, então nada de histórico aqui (vai procurar no google se quiser!), o que eu quero que todo mundo perceba ao ler isso aqui é que, no final das contas, todos eles são iguais e qualquer um que tivesse sido eleito faria as mesmas coisas. Vamos lá.

Primeiro a candidata Hillary Clinton, que de uma hora pra outra "mudou de lado", e não é muito longe isso não. Lembrem-se (ou usem o google para ver) [d]as ações dela como senadora. A sua principal meta era tornar o sistema de saúde norte-americano público e universal novamente (o quê??? você não sabia que nos U$A a saúde não é pública como no Brasil?) Para tal, ela comprou uma briga feia com as agências e empresas de seguro-saúde de lá, (dessas eu só conheço a Sigma saúde, proprietária da Amico Saúde aqui no Brasil).

A briga dela era para que a saúde lá voltasse a ser responsabilidade do Estado e que fosse disponível para todos os cidadãos, principalmente os mais pobres, ou seja, aqueles que não podem pagar por um seguro-saúde (caríssimos, por sinal). Ora, mas isso vai contra os interesses das empresas, que lucram horrores com a desgraça situação dos norte americanos. (Pode parecer engraçado para quem estiver lendo isso que um brasileiro fale sobre isso, porém agradeço todos os dias à minha mamãe e a papai por não ter nascido nos U$A, porque aqui, mesmo porcamente e com filas de espera de até seis meses, eu tenho acesso à saúde, mesmo não sendo ideal, mas lá se eu não tivesse grana para pagar pelo tratamento (que pode chegar até a U$$ 650 mil por uma simples operação) eu ficaria sem tratamento, seria posto para fora dos hospitais e deixado à pura sorte)

Então o que fizeram às empresas de saúde norte-americanas? Começaram a usar os seus testas-de-ferro dentro do próprio Estado, ou seja, usaram aqueles a quem elas ajudaram a eleger e, sabe como isso aconteceu? Ora, não é muito difícil de saber, vamos ao objetivo principal de uma empresa e sua razão de existência: O lucro, que é formado pelo Dinheiro. Pronto, temos aí a melhor forma de se comprar o que quiser no mundo capitalista, inclusive o seu próprio senador, olha que beleza! (fórmula básica de matemática: CP= C x L = $$$)

Legenda
Comprar senador = CP
Lucro das empresas = L
Dinheiro = Money = $
Contribuição para campanha = C


As campanhas norte-americanas (assim como quase todas na ilusão da democracia) trabalham com duas fontes de verba (em todos os níveis) que são, o financiamento público e as doações privadas (empresas, pessoas, entidades, sindicatos, ETC) que podem também fazer doações para campanhas políticas. Dentro desse esquema não é muito difícil adivinhar como comprar seu próprio senador não é? Estou usando o exemplo porque se encaixa na Hillary (que também gosta de um charuto, diga-se de passagem) que, por sinal É uma senadora (olha que coisa, parte II). Logo, as empresas que têm muito, mas muito dinheiro disponível para gastar, ou melhor, para "investir" nos seus interesses, utilizam o subterfúgio de "patrocinar" a campanha de determinado candidato através de doações de dinheiro. Aqui é que "a porca torce o rabo" como dizem os sertanejos, pois quanto mais dinheiro uma empresa injeta na campanha de determinado candidato, mais "contrapartidas" a mesma exigirá receber, afinal de contas. É a clássica troca de favores, onde você lava a minha mão e eu lavo a sua, nós trocamos interesses, ETC, ou seja, todo mundo fica feliz e a vida toda vira uma festa. É sempre assim? Não, não é, mas não ser [infelizmente] é a exceção.


Toda essa explicação acima, sobre como comprar seu próprio senador foi para explicar com riqueza como a senadora Hillary mudou de lado "facin, facin", pois as empresas de seguro saúde foram direto para essa tática de guerrilha, atacando o seu "inimigo" pela parte em que ele é mais fraco, ou seja, dentro do esquema de grana fácil das empresas e da necessidade por parte dos candidatos de grana para financiar as suas campanhas, "Pimba nego!" As mesmas compraram a senadora Hillary em sua candidatura ao senado em 2004 (se não me engano!) e foram os maiores contribuidores da campanha dela e, imaginem o que aconteceu depois que ela foi eleita? Yes sir, ela simplesmente ESQUECEU da saúde pública, universal e gratuita, responsabilidade do Estado.
Agora Sobre o candidato John McCain...
Hahaha nosso querido John(zinho) é da "linha-dura" dos U$$$A, ou seja, vem de uma tradicionalíssima família militar, do pior tipo, a dos fuzileiros navais (Marinha), tendo sido filho e neto de grandes almirantes da U$ Navy, foi prisioneiro de guerra lá no Vietnã (se fodeu) e passou um bom perrengue por lá, tendo como maiores lembranças um pé ferido e não conseguir mover o braço direito acima do ombro, por causa de tanta pancada que recebeu na sua estadia forçada no Vietnã. Nosso querido diz ser ferrenho opositor das indústrias de tabaco e dos lobbies das indústrias nas eleições e que deseja devolver o poder ao povo norte americano (que poético, não?), mas isso não o impediu de receber doações bastante generosas por parte dos mesmos lobistas e indústrias de tabaco que costuma criticar! (*algo em torno de U$ 1,227,965, isso contando apenas a indústria do tabaco e os Lobistas). Além de seu interesse muito grande em parecer um "bom moço", atacando os lobistas, as indústrias de cigarro e a influência do capital no cenário político norte-americano, o John(zinho) tem muitas outras qualidades... Como todo bom militar que se preze, apoiou ferrenhamente a INVASÃO (que ocupação de cu é rola) do Iraque, a famigerada guerra do Golfo e muitas outras incursões, ditas de "defesa" dos U$$$A e, TODAS as ações do atual presidente Sr. Bush(it) no que diz respeito à política externa, além de ser forte e incisivo no senado, principalmente dentro do assunto em que é especialista (alguém aí sabe qual é?). Além de tudo isso, como se não bastasse, apoiou ativamente a reeleição do Sr. Bush(it) à presidência, angariando fundos na cifra dos mais de U$ 10,000,000 para candidatos do partido, é chamava até recentemente os asiáticos de Gook, um termo pejorativo que aprendeu na guerra do Vietnã, mas ele pelo menos é contra a tortura, afinal de contas, passou cinco anos levando pancada pra falar, lógico que ele vai ser contra... Agora chega de falar dos perdedores, o que interessa mesmo é o ganhador (mas não muito, como vocês vão ver)... Obaminha, todo mundo já sabe da sua origem, de sua luta e afins, todo mundo se emocionou com o carinho que devotou a vovó, da tristeza em ver ela partir e tudo o mais, todo mundo sabe que você é um cara "legal e que quer ajudar o seu país". Disso todo mundo sabe, mas tem algumas coisas que não estão muito abertas nesse jogo não tem, então vamos a algumas delas... Como assim, não vai retirar totalmente as tropas do Iraque até 2010?
Você prometeu isso em campanha, falou que se eleito tiraria todo mundo de lá sem falta até 2010, agora tá vindo com um papinho de que a retirada vai ser desastrosa pros Iraquianos e que ela agora terá de ser lenta e gradual, além de contar com equipes americanas de não-combate para "auxiliar na segurança" do país?? Obaminha, que papo é esse Jão? Deve ter sido idéia do tal Gates né? (pra quem não sabe, Robert Gates, secretário da Defesa de Bush e autor, juntamente com o general Petraeus, da famigerada "onda" iraquiana! Gates sempre apoiou a manutenção da presença americana no Iraque e nunca sugeriu que os U$$$A deveriam sair). Ele deve estar te pressionando muito né? Afinal a indústria bélica americana fatura uma boa grana lá, com venda de armas e acessórios pro governo militarista, além dos próprios lobbies no Iraque, afinal de contas lá tem muito ouro preto, coisa rara hoje em dia e que desperta certas "paixões" em certos homens, além do fato de que lá é um belo e grande campo fértil para a "introdução norte americana", com o american way of life, produtos americanos e cultura norte americana, além de muitas outras possibilidades de negócio fácil e lucrativo, não? Ainda mais agora com a crise né Obaminhah ,é inviável tirar a galera de lá, logo, a retirada das tropas do Iraque só pode ser uma insanidade né? Eu entendo, há muita pressão de cima né? Aquela galera que financiou boa parte da sua campanha tá enchendo a paciência pra que isso não role né? eu sei Obaminha, eu sei...
E porque cargas d'água foi escolher justamente a Hillary Clinton como secretária de estado? Algumas coisas que você faz Obaminha fogem a minha compreensão, pois a escolha dela, que nunca votou contra a guerra do Iraque e nunca deixou de apoiar a contínua liberação de verba pra manutenção da INVASÃO [que ocupação de cu é rola²] do Iraque, que disse em rede nacional que se eleita presidente e o Irã atacar Israel ela não hesitaria e DESTRUIRIA o país ela mesma, isso sem falar na falta de memória dela [vide o caso dos seguros-saúde e a educação gratuita], é Obaminha, colocar uma mulher desse tipo para comandar a “diplomacia” norte americana por quatro anos foi dose, o que podemos esperar dessa decisão hein meu rei?
Agora vamos falar de dinhheiro né Obaminhá... afinal ele é bom e todo mundo gosta...Lembra que eu falei que algumas coisas fogem a minha compreensão meu amigo? Então essa é outra delas. Como é que você tem coragem de manter Timothy Geithner (atual presidente da Reserva Federal Nova Iorque), Lawrence Summers (ex-secretário do Tesouro do governo Clinton), e Paul Volker (ex-presidente do Federal Reserve) como conselheiros monetários Obaminha? Isso só pode ser brincadeira, afinal não é segredo nenhum (ou é?) que TODOS (sim, eu disse TODOS!) eles estejam profundamente envolvidos com o atual colapso financeiro e a temida recessão, que já assola milhões de empregos no seu país Obama, além de claro, serem ferrenhos apoiadores do “socorro” (entre aspas, porque isso é melhor que colo de mãe concorda?) financeiro a Wall Street, que já tá indo pras cifras dos trilhões de dólares do dinheiro de quem? (se você disse do povo, sim você acertou, ponto pra você...^^). Como é que você foi fazer uma coisa dessas, me diga? Não vai me dizer que você realmente acredita que esses homens possam te ajudar a sair dessa encrenca que o nosso amigo Mr. Bush[it] te meteu hein Obaminha... Afinal de contas foram ELES os responsáveis pelo colapso que bate a sua porta meu amigo, que tal abrir os olhos? Será que você vai dar tanto destaque, atenção e grana pra eles mesmo? Parece sensato confiar que eles tirem a economia do seu país do buraco em que ELES MESMOS a enfiaram.... Ai ai Obama, ai ai...
Mas pelo menos uma coisa boa ele fez....Tá fechando as portas de Guantánamo, olha que legal a atitude do nosso amiguinho Obama. Isso ele cumpriu pelo menos, mas não era sem tempo né? Eu só não entendi bem a história de colocar um cara da Cia pra fazer isso, principalmente um que era fortemente tendencioso a usar certos métodos condenados por todos [inclusive por vocês] de se conseguir informações [sim, estou falando de tortura]...eu não sei como você conseguiu fazer tudo isso de uma vez só Obaminha, eu juro que tento entender ao máximo, mas não é possível...
O que eu quero de verdade é que você se dê bem meu caro amigo Obama, afinal de contas, seja de que forma for, é um momento histórico que você tenha chegado a esse cargo, tão importante no mundo atual globalizado. Só espero que não dê merda, pois isso só será mais um subterfúgio para os que sempre fazem merda se darem bem, pois será só dizer que a culpa é do negro!

Boa sorte Obama, você vai precisar...

Para maiores informações acessem:

http://www.hsw.uol.com.br/framed.htm?parent=barack-obama.htm&url=http://www.opensecrets.org/pres08/select.asp%3fInd=A02

Sem comentários hoje, só pra comemorar o primeiro discurso dele pro congresso...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A minha comédia da vida privada (post EXTRA: DESABAFO!)




♪ CATDOG - Opening portuguese♫

Ultimamente tenho pensando muito em como a minha vida está a se tornar, senão uma comédia pastelão, um típico romance de novela mexicana. O que me leva a pensar nisso é o constante ritmo de "você nunca pode manter uma coisa que está certa por muito tempo amigo", ou seja, quando as coisas começam a correr bem por um lado, o outro está lá pra foder com tudo. Esse pode ser um belo começo pra um daqueles textos melodramáticos e depressivos que ao longo dos anos eu me especializei em fazer (vide águas passadas que movem moinhos), mas quer saber, hoje não estou a fim...

O que me faz pensar diferente agora é justamente o cansaço, cansaço de sofrer por causa de coisas que não dá pra fazer nada a respeito. Eu fico imaginando às vezes como seria minha vida sem esses problemas e, chego a conclusão de que ela seria muito mais chata e eu não seria 1/3 do ser humano que sou hoje, isso é certeza.

Recentemente tem acontecido algumas coisas estranhas no meu relacionamento com a Van. O fato da fraqueza de espírito dela me irritar já está sendo quase incontrolável, isso misturado à falta de confiança que têm em si própria não ajuda a melhorar muito um cenário que nunca foi favorável. Em uma típica discussão idiota (por um motivo ainda mais idiota) ela me faz a mesma pergunta pela 5555º vez: " eu não sei, o que você ainda tá fazendo perdendo seu tempo comigo?" Confesso que nessa hora eu (pela primeira vez em muitos anos mesmo) fiquei puto. Será que não é óbvio que eu gosto dela? Faço tudo o que posso mesmo por ela e, cobro mesmo que ela tome uma atitude na vida dela, mas é pra que ELA melhore e não pra mim (mas não vou ser hipócrita e dizer que não vou me beneficiar disso), pois se uma pessoa diz a mim que É alguma coisa, a primeira coisa que eu faço é acreditar mas, a pessoa tem que, no mínimo, demonstrar isso com ações e atitudes, coisa que ela além de não fazer, reclama quando é cobrada pra tal. Eu já não sei quando ela mente, quando ela omite, quando ela fala a verdade e, o pior de tudo é ela me cobrar que acredite nela desse jeito. Eu já fui muito burro com ela acreditando piamente nela uma vez, não vou cair no mesmo erro de novo, tenho dito. Se ela realmente gosta de mim como sempre diz, que demonstre com atitude e respeitando a minha inteligência, porque não sou capacho e nem idiota de ninguém, pelo menos não mais.

PS1: Hoje como foto de fim de post, uma assinatura minha a alguns movimentos da Nokia
[é propaganda e a Nokia não tá fazendo isso de boazinha, eu sei, mas não me importo porque é positivo!]








Maiores informações sobre, acessem: http://www.nokiastoresp.com.br/site/


PS2: Ainda estou pensando quando é que vou começar a escrever o texto sobre a influência da religião na vida das pessoas, não se preocupem que já, já ele brota por aqui para seu deleite

sexta-feira, 4 de julho de 2008

""!INFLUENZA!"

Estava eu cá lendo algumas coisas na grande teia quando decidi que este post seria dedicado a discorrer sobre a influência, não só as que eu sofro, mas todas as influências em geral. Ora, mas porque diabos eu escreveria sobre a influência, sendo este um assunto complicado e que muitos não admitem de forma alguma sofrerem-na, ora primeiro porque não existe um ser humano que não seja influenciado e porque eu já superei esta fase de querer ser auto-suficiente em termos de vida na grande redoma de terra, gás e água que chamamos de planeta.

Sim sim, até aí tudo bem, mas o que diacho é influência? de que estou falando? As pessoas sempre falam algumas coisas sem ao menos se dar conta do real significado do que sai pelas vibrações de suas cordas vocais. Vamos a DEUS (http://www.google.com.br/) e perguntar: - Ó grande, o que é influência?
Algumas páginas lidas mais tarde e uma resposta muito relevante dada pelo Adm. e "antiguru" executivo Oscar Motomura: "- A influência deve ser o fim, não a ação intermediária. Ela só se concretiza à medida que alguma coisa acontece, como uma mudança. Quem tenta convencer alguém exerce influência de fora para dentro. A influência mais legítima ocorre de dentro para fora, porque a pessoa está convicta de que este é o melhor caminho para ela. É uma descoberta.." Agora de maneira não tão fina, mas objetiva: Dizem que influência é o processo ou ação no qual um determinado ser ou objeto (esse é o X) provoca uma reação adversa ou uma mudança em outro (esse pode ser o Y), que se transforma para outro diferente do anterior (esse é o Z), sendo assim X influencia Y, que se transforma em Z...(hahhahahah adoro matemática...^^). Dentro de todo esse emaranhado de palavras desconexas (mas bonitas), o que se entende por influência é que é um processo transformador, dentro dessa constatação, saber o que é influência depende sobre qual ótica enxergarás (nossa, parece trecho de bíblia isso...^^) ou seja, temos influência musical, arquitetônica, religiosa, executiva, ETC,ETC,ETC... Mas, basicamente temos uma coisa em comum entre todas e é isso que me motivou a escrever tudo isso (e usar os comandos mágicos CTRL+C e CTRL+V também..(ainda bem que o Tio Bill não patenteou isso)...^^) e o que é? Ora a TRANSFORMAÇÃO, o que mais seria? Esse processo fascinante que promove e faz com que tudo no mundo seja mais interessante é a força motriz da nossa existência, afinal não podemos destruir nem construir nada, apenas transformar algo em outro (posso até fazer o X, Y, Z de novo hahaha ^^).

Em algumas viagens astrais eu fico pensando sobre o poder desse processo e em como as diversas influências que sofremos ao longo da vida nos fazem ter ações que vão nos influenciar novamente, girando (em ritmo de festa) em um interminável ciclo de influência que culminará em evolução extrema e colapso da espécie. ahh vai colapso da espécie? Assim até parece que tô exagerando, pero no amigo, não é exagero e vou dizer porque.
Nossa espécie (a dita HUMANA) têm como característica principal a capacidade do raciocínio lógico (todos os outros derivam deste) e dentro deste raciocínio lógico encaixam-se algumas peças (de LEGO®) que nos tornam (teoricamente) os seres dominantes e dignos de figurar no top 1,000,000,000,00x10²³ da cadeia alimentar (a maior das perversidades de Deus (se é que ele existe!)) tais peças são, o polegar "Opositor" (Valeu Rui, por lembrar do nome dele! ^^ ) o que nos permite fazer o movimento de pinça com as mãos e nos dá ampla vantagem em segurar qualquer objeto, vantagem esta insuperaável por qualquer outra espécie animal (acho que perdemos pros elefantes nesse quesito, mas não sou cientista mesmo...^^) e nos permite construir objetos a partir de matéria-prima, além do enéfalo super-desenvolvido, que nos dá a mágica capacidade de imaginar ( o nome bonito pra isso é abstrair, mas também pode ser projetar, viajar, divagar, e outros "ars" por aí, e é daí que começa tudo!).
Voltando a matéria prima (quatro linhas atrás) e à construção, vamos entender melhor como o processo de influência levará ao colapso da espécie, pois a partir do momento em que o homem (sim, o das cavernas) passou a construir objetos e não apenas depender da comunhão com a natureza ele iniciou o que muitos chamam de evolução (eu particularmente chamo de processo de auto-destruição) e nisso incluem-se muitas das coisas que atualmente são consideradas indispensáveis a vida cotidiana (estou escrevendo isso em uma delas, aliás o próprio ato de escrever deriva disso tudo) e levará a muitas outras que nem sequer imaginamos agora, porém todo este processo (seja lá qual for o nome que tenha) tem um PREÇO, e este preço é justamente a matéria-prima que é retirada da natureza e, lembremos que independentemente de quais sejam os objetivos, o fato é que essa matéria é retirada da natureza e ponto. Agora vou discorrer sobre os motivos disso.
Dentro de todas as características que são consideradas típicamente humanas, temos algumas que são fascinantes e desprezíveis ao mesmo tempo, como a determinação, a inquietude e o vigor criativo e a procura pela satisfação plena dos anseios de nossos corações. Todas essas características seriam muito provavelmente apenas fascinantes se apenas se encerrassem dentro de si mesmas, porém uma outra característica humana impede tanto isso como também as corrompe. Tal característica tem muitos nomes, alguns relevantes como indiferença, desprezo e outros mais fortes como ganância, egoísmo, porém nenhuma se enquadra tão bem nesta característica como desrespeito e, todas essas palavras se referem a condição do ser humano frente a tudo aquilo que não o beneficie diretamente ou indiretamente, como os outros seres humanos, o ambiente em que vive (embora isso será fatalmente o que irá destruí-lo) e as outras criaturas viventes como os animais, plantas, microrganismos uni,pluri e multicelulares (tô lembrando das aulas de biologia ^^).

Dentro desse desrespeito a condição de seus semelhantes vivos e com o ambiente que nos abriga a todos, o homem segue em busca de sua jornada rumo a satisfação de seus anseios e, nisso se vão mais de cinco mil anos de história, mas que se resumem em capítulos-chave, como a criação do fogo, o surgimento da propriedade privada e a ascenção do neoliberalismo baseado no capital de lucro. Tais indicadores revelam a direção na qual a "evolução" do homem tomou de acordo com o passar dos séculos, de ferramenta para o bem-comum a instrumento de dominação e escravização de seus semelhantes por algo que a natureza sempre ofereceu de graça: O alimento, o abrigo e as condições ideais de sobrevivência dentro de um esquema quase perfeito que tem como única falha a existência do homo sapiens².

Isso faz com que a pergunta não se cale: Por quê? porque? pq? porrqueeeeEeE? Alguns tentam explicar com teorias rebuscadas e explicações escatológicas sobre evolução da espécie, seleção natural e afins, mas a resposta para tudo isso é muito simples: Pegue o fato histórico da criação da propriedade privada dentro do contexto de desrespeito (ou crie outro nome que julgar mais apropriado) que o ser humano nutre por tudo a sua volta que não lhe beneficie e temos um perfeito neocapitalista liberal, que utilizará dos meios (físicos, naturais e afins) e quaisquer outros, inclusive dos seus semelhantes, para atingir os anseios criados por suas mentes. Toda a idéia de progresso, globalização e consumo advém deste pequeno fato e da faceta mais odiável do ser humano: A de acumulador, ou seja, tudo o que o ser humano tem, ele deseja aumentar e, ao olhar o que o outro tem, seja por qualquer motivo, ele odeia, inveja e tenta sobrepujar (daqui surgiu a competitividade e todas as guerras medievais, modernas e contemporâneas).
Tudo isso surgiu com a criação do fogo pelos nossos amigos das cavernas, que no ímpeto de criarem condições mais favoráveis a sua existência dentro do contexto vivido por eles na época (lembre-se que naquela época não existia fogão a gás, microondas, tocha olímpica, nada disso), ou seja, os seres humanos na ânsia por uma vida mais confortável criaram condições para que tal fosse possível se utilizando da observação e aprendizagem (o tal raciocínio lógico aplicado) para transformar (olha ela aí de novo) um estado natural em artificial produzido por ele, o que tornou sua existência mais fácil dentro de um ambiente em que, a priori não era favorável.

Dentro do contexto criado com essa invenção o ser humano com sua capacidade de raciocínio lógico e abstração, começou a utilizar esta ferramenta para outros fins que não o original (lembre-se que o objetivo principal do fogo é esquentar!), ou seja, o que foi inicialmente feito para SE esquentar (no frio congelante do inverno...[ah tá...¬¬]) passou a esquentar também alimento colhido nas caçadas e na floresta (ou seja, foram eles que inventaram o churrasquinho que tanto adoramos e os vegetais no vapor que são suuper saudáveis... ^^), além de espantar os animais ferozes (a técnica existe até hoje!) que os atacavam e outros milhares de usos possíveis. Agora se pode começar a entender onde que a influência e o círculo vicioso de "evolução" levará a nós, pois a partir do momento em que se tem uma preocupação a menos (seja ela qual for) nosso raciocínio passa a funcionar com dois objetivos, com a manutenção do estado confortável em que se encontra e na ampliação deste estado para um ainda mais confortável. A partir desse raciocínio objetivo, passamos a trabalhar em um nível de consciência mais elevado que nos permite analisar com mais frieza o ambiente e as situações que nos cercam, podendo assim tomar decisões mais coerentes com o objetivo final (o conforto, ou "vida de marajá" se for mais apropriado). Aqui é que as coisas começam se complicar e o objetivo final do homem se transforma, pois dentro deste esquema de conforto e aprendizagem por observação e raciocínio lógico aplicado, o homem percebeu que teria mais vantagem (ainda) sobre os outros animais se começasse a se agrupar, e temos aí o surgimento da sociedade como a conhecemos(um aglomerado de pessoas), porém para que isso fosse possível e que cada um dos aglomerados pudesse ter sua própria vida de marajá seria necessário estabelecer algumas condições de sobrevivência (claro que as coisas não seriam tão fáceis), ou seja amigo a partir daquele momento teríamos LEIS para estabelecer uma ordem (e progresso) e cortar as asinhas dos anarquistas de plantão que queriam vida de marajá assim fácil, mas dentro desse esquema de cumprimento de regras de convivência seriam necessários alguns seres que fizessem as leis serem cumpridas (e adivinhe quem é que se tornariam os primeiros representantes da lei, hahaha ^^) primeiro como líderes de bando(s), depois como reis, imperadores, prefeitos, presidentes, parlamentares e claro que o 1º ministro não podia ficar de fora. Por falar em representantes me vem a cabeça (grande) uma coisa interessante sobre o homo sapiens, que é sua covardia, ou seja, a necessidade de sempre ter alguém que fale por ele, que o represente em seus interesses e que o guie em momentos de dificuldade extrema. Aproveitando-se desta faceta imoral do ser humano, outros tomam para si a "responsabilidade" de serem os líderes apenas para se beneficiar pessoalmente, ou seja, a construção da vida de marajá passará pelas mãos de outrem e não pelas suas, o que implicará em exploração de outros para seu benefício pessoal (algo familiar com os nossos empregos?) e dificuldades na construção de suas respectivas vidas de marajá (dificilmente alguém vai ler até aqui, mas é impossível um marajá constituído chegar até aqui! o que significa que muito provavelmente apenas pessoas que gostam (muito de ler) ou que não tem nada mais importante pra fazer estarão lendo estas palavras).
O fato é que, a partir destas características e dos fatos históricos ocorridos, como a criação da sociedade como a conhecemos, influenciou (e influencia) os seres humanos até hoje, pois o que aconteceu foi apenas uma evolução destes primeiros estados constituídos e a criação de novas formas de contenção, controle social e exploração de indivíduos por outros, como a religião, o dinheiro, a mais-valia, o comércio neoliberal e os processos industriais, a violência e o estado de sítio, o terror psicológico, a manipulação da informação por meio dos "veículos" de informação (seria melhor lançadores de merda pro alto!), a competitividade exacerbada, a falta de educação e consequente entendimento destes processos de atraso evolutivo do SER humano.
Enfim, a partir desse processo evolutivo das relações entre os seres humanos com eles mesmos, com os outros seres vivos e com a natureza é que ele vai construindo lentamente (pero no mucho) sua autodestruição, pela sua excessiva carga de exploração em todos os sentidos de todos os recursos do planeta, que não suportarará a carga e entrará em colapso, destruindo a raça humana, curiosamente sendo a única a desaparecer, talvex por seu encéfalo superdesenvolvido, ou por seu polegar opositor, ou quem sabe pela única capacidade que o difere realmente de todos os outros seres vivos: A capacidade de alterar a sua própria realidade
Nos próximos post's, escreverei sobre os processos influenciatórios dentro das mais variadas esferar humanas, a começar pela primeira e mais significativa: A religião (vem polêmica por aí!)
Aguardem.

sábado, 14 de junho de 2008

Mais um do nosso amigo Dedoesxxxinho - Revolutions

E meio que pra finalizar uma saga começada sem objetivo em lugar nenhum, eis que das cinzas surge um novo post do nosso amigo dedoesxxinho, que vem contar suas peripécias e aventuras nessa megalópole preta de céu cinza, chamada de maior cidade da América latina [óóóóóóóhhhh] e agora com UMA leitora, meu amor, minha vida, minha tampa da panela, Nayma Fernandes [eeeeeeeeeeeeeeh!!! ^^]

Primeiramente contando sobre as coisas ruins, que ultimamente não andam ocorrendo com a frequência de uns tempos atrás, que eu consideraria negros e sem esperança [aqui notando um dos preconceitos mais latentes em nossa querida língua portuguesa, ou seja atribuir ao NEGRO algo ruim ou não desejável!] parece que esses tempos, ao que tudo indica parecem ser coisa do pasado e sinceramente espero que fiquem por lá [embora eu saiba que isso pode não durar pra sempre].

Dentro desta constatação acima, percebi que a coisa mais positiva que aconteceu comigo nesses últimos tempos foi justamente isso, perceber que a felicidade que me cerca atualmente pode não ser eterna e, que mais cedo ou mais tarde tudo isso pode acabar da mesma forma como começou, ou seja, do nada e o fato disto não me incomodar nem um pouco mesmo, muito diferentemente do que em tempos atrás, quando ao menor indício desta realidade nua e crua eu simplesmente desabava em choro interminável lamentando por tudo aquilo que [ainda] iria fazer e que não poderia mais. Pode parecer muito simplista dizer isto agora, porém basta olhar para algumas águas passadas que movem moinhos que entenderão tudo o que digo.

Não quero aqui dizer que me transformei e que o futuro não me dá mais medo, é impossível para qualquer ser humano dizer que não tem medo do futuro, pois a nossa sina é temer por aquilo que não conhecemos, mas agora eu posso olhar pra a frente com dignidade e dizer que sim, o futuro me assusta justamente por ser imprevisível, mas nem por isso vou me fechar ante as possibilidades que ele pode me reservar a partir das minhas ações no dia de hoje, por isso eu posso dizer calmamente que mesmo que ele me assuste, é algo com o qual eu não posso fazer nada a respeito a não ser planejar o que eu puder e colher os frutos de meu planejamento [ou não!].

O mais legal de poder as vezes parar para pensar na vida é que podemos tirar conclusões por vezes esclarecedoras dos mais diversos assuntos e fazer reflexões sobre a vida que levamos e a que ponto nós estamos chegando como seres humanos. Era sobre iso que conversava com a Van hoje enquanto comíamos comida japonesa [foi uma das muitas "1º vez" dela comigo! ^^] no shop. Itaquera. Apesar de o sushi estar mal-feito [onde já se viu um sushi desmanchar no shoyu??] isso não impediu de que me divertisse muito com a Van comendo e falando um pouco sobre a milenar [aliás...o que no Japão não é milenar?] tradição culinária [como se eu manjasse pacas...^^]. E uma das coisas que ela falou me tocou de jeito, pois quando perguntei a ela se tinha gostado ela disse:
"-Quando a companhia é boa, qualquer coisa fica gostosa!"

haha Isso me tocou de verdade e nesse caso sou suspeito pra concordar em gênero, teor e conteúdo!!

Ultimamente tenho batido muito na tecla de que as coisas para nós não caem feitas e prontas do céu [como seria bom se assim fossem né? mas não sonha! isso nunca vai acontecer!!!] e que as vezes vale muito mais o esforço [coletivo ou individual dependendo do caso!] de se construir algo do que recebê-lo de bom grade de algo [alguém]. Estou tendo a prova viva de que isso é verdade e que a melhor coisa a se fazer durante a vida não é esperar que a vida nos traga as coisas prontas apenas pra desfrutarmos, mas construírmos tudo aquilo que desejamos para acalmar nossa ânsia de criação e de desfrute que arde dentro dos corações de cada um de nós.

Quando todos percebermos que podemos fazer isso sem prejudicar o próximo e sem sobrepujá-lo, seremos melhores como humanos, cidadãos e pessoas.



Na série de fotos de fim de post [característica do blog já!] Apresento Nayma Fernandes, Minha tampa de panela de pressão, amor da minha vida e merecedora de todos os beijos virtuais [ou não] desse mundo todo!

Aqui eu também te digo flor!

EU TE AMO!!!!!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

mais um do nosso amigo dedoesxxinho - reloaded

Cá entre mim [afinal só eu leio isso aqui...^^] eu sinceramente acho que escrever é uma terapia das mais interessantes, e escrever para as pessoas que queremos bem é ainda melhor, pois isso além de massagear o ego de nossas queridas[os], faz com que exercitemos nossa capacidade poético-reflexiva, pois é um exercício interessante transformar características comuns em adjetivos poéticos.


Sempre recorro ao que as pessoas me fazem sentir nos momentos em que estamos juntos e vale para as relações virtuais também, afinal estamos no mundo moderno e, se não pode com ele, junte-se!!! ^^, isso faz com que escrever sobre elas se torne mais fácil e mais prazeroso, além de conferir um quê de verdade a tudo o que escrevo.


O fato de gostar de ler também ajuda, pois além de influenciar na forma como coloca as palavras, a leitura inspira o poeta que há em cada um de nós, seja influenciando no espírito poético [isso é mais comum quando se lê livros de poesia e poemas em geral] ou na forma de se escrever [geralmente os outros tipos de livros se encaixam aqui!!] e, obviamente que o livro em questão faz muita diferença, mas no final o que vai determinar se o que escreve é legal ou não...de forma alguma será qualquer um destes indicadores dos cri-críticos literários ou das inúmeras influências que você pode ter recebido dos milhões de livros que leu, afinal o que conta de verdade é o sentimento que está implícito na sua escrita e é esse o segredo para que a pessoa a qual se destina suas palavras goste ou não, pois quando o sentimento é passado para o papel [teclado ou outra forma de escrita não socialmente convencional] ele acerta em cheio.


Lembrando que, o grande talento para escrever é privilégio de poucos [o grande Neil Gaiman é um deles quando se trata de fantasia, assim como Sthepen King quando se trata de terror/suspense] mas a capacidade de se atingir a um coração que ama está ao alcance de todo aquele que estende a mão com vontade...^^





lembrei disso tudo quando olhei a foto do meu pão de mel preferido ou minha Priel, ou Priscila pros menos chegados....^^


"óia" uma foto dela aí, tirada em casa para a série cara de conteúdo!!!





PRIEL, aqui também digo..





EU TE AMO!


O//

quarta-feira, 28 de maio de 2008

mais um do nosso amigo dedoesxxinho!!!

e hoje foi dia de limpeza....





ah claro na biblioteca viva hoje foi dia e limpar o chão. Fico imaginando como é que vamos trabalhar aquele espaço que está começando a ficar com uma nova cara, com as pinturas, com os arranjos e, assim que o resto das coisas chegarem vamos ter uma vida nova naquele espaço construído por doidos, hahahah!





limpar o chão foi agradável com certeza, até dancei putz-putz com a Ellen ^^, e fiquei com bolhas no dedão...:(, mas vale a pena o esforço pela causa..haha falei igual ao MST agora...^^





[aliás, um salve pros manos do MST!!! HAIL!]





Dentro desses dias eu tive algumas notícias que foderam com minha alegria, pois ainda há nesse mundo bestas selvagens em forma de homem e, o pior de tudo isso é que estas ditas bestas só atacam as vítimas mais fracas e inocentes. Eu fico realmente impressionado como a cachaça só faz um covarde ficar macho na frente de quem não pode enfrentar, ou por impotência ou por medo, mas deixa estar jacaré, sua lagoa há de secar...e quando ela secar eu te pego!





O que mais me importa mesmo é ajudar minha flor a se recuperar desse choque e, acho que recuperar as pétalas dela vai ser difícil mas, quem disse que a vida é fácil né? ^^











Isso me faz lembrar do motivo que me fez escrever esse post...


meus eternos devaneios perturbadas!!!! ^^





























uma foto que mostra bem como eu sou....
fazer legenda é descenessário..

domingo, 11 de maio de 2008

Peripécias na longa estrada e a Guia-underground mais style do mundo!

Depois das conturbadas e malucas postagens acerca do meu trabalho na cobertura da primeira conferência nacionl da juventude.....eis que finalmente eu venho escrever pessoalmente aqui.

Primeiramente é uma coisa legal ter um blog [mesmo que ninguém ou quase ninguém, vai!] leia....é um passatempo legal, que faz que com que exercitemos nossa capacidade de contar histórias e, o melhor disso tudo é que elas foram verdadeiras [na maioria dos casos] e que este será o regisro delas.

Minhas aventuras em Brasília revelaram muito mais do que apenas políticas públicas e contatos de comunicadoras/es do Brasil todo, revelaram amizade, força, respeito, interação e muito trabalho de equipe, sempre regados com bom-humor, simpatia e afeto, coisas que são tão raras hoje em dia, principalmente no trabalho.

Na verdade a volta foi a coisa mais difícil de fazer, pois sair daquele ambiente em que me senti tão bem, ao lado de pessoas maravilhosas e daquele trabalho estafante e cansativo mas maravilhoso e animado foi muito complicado, mas como também tinha pessoas me esperando [ou não] aqui em SP e minha vida ser aqui tive que voltar...com um aperto no coração me despedi das pessoas com promessas que de que nos veríamos novamente. [parece coisa de filme isso]

E claro, meu último dia lá foi o melhor!!!!! Absolutamente!! Pura e simplesmente porque nesse dia minha paixão-mor de Brasília [sim, é a Silvinhaaaa O//] me levou pra um paseio super-hiper-mega-master ótimo pelo lugar underground de Brasília, o famoso CONIC [ou algo assim] e, finalmente [depois de muito inistir, brigar, gritar, pular e bater o pé..claro que não teve nada disso] ela me levou a loja de camisetas bizarras que, no final se mostraram muito mais legal e interessantes do que meramente bizarras, vale até a propaganda dela, a famosa negroblue, que faz um trampo de estampa bem parecido com o que a AVB [da cavalera agora] faz aqui em Sp, mas com uma temática BLACK [como o nome sugere]...e lá comprei uma camiseta LINDA da Elza Soares, além de outra camiseta legal do carrapato porque Silvinha e eu morremos de rir com ela na outra loja.

Pena que o dia tenha sido tão curto no final das contas, pois passamos em lojas legais por lá e fiquei super a fim de adquirir muitas das camisetas que vi por lá...ainda mais porque Silvinha já disse que importa pra mim sem problema...e eu vou exportar umas daqui pra la.....vai ser um intercambio interessante...

Quando cheguei aqui em Sp, vamos dizer que a "vida como ela é" começou novamente, toda a correria, agito e trabalho voltaram em um ritmo alucinado e tive algumas percepdecepções quanto a tudo o que eu perdi aqui, a começar pela virada cultural, que esse ano foi maravilhosa segundo 500% das pessoas entrevistadas, a gravação do meu vídeo-curta-documentário no evento que organizamos pra tal, que segundo 250% das pessoas participantes foi estranho e engraçado (disseram que sentriam minha falta lá....^^) alé de claro ter perdido a chance de ver a Van-van dormir fora de casa pela primeira vez na vida [e eu poderia ter me aproveitado desse evento histórico! ^^], além da FESTA do ano, ou melhor da festa da irmã do PRETOCris, com Funk estourando no norte, muita pinga e comida, além de muita fanfarronice por parte do povo...o que não é nenhuma novidade...de qualquer forma perdi tudo isso mas ganhei muita coisa também..é assim a vida....não se pode ganhar todas....:)

Agora estou no final da montagem do meu vídeo-curta-documentário que ficará pronto até terça e depois vou pro processo de divulgação...que vai ser longo e árduo, além de começar as formações pras oficinas da nossa biblioteca-espaço cultural vivA! e da finalização do primeiro número do nosso fanzine, o Catraca - passagem para o conhecimento. No sábado vou fazer outra oficina de vídeo, pelo visto essa coisa de vídeo não vai acabar nunca...AINDA BEM!!!

AMO MUITO TUDO ISSO....



De qualquer forma vamos ver no que essa coisa chamada minha vida dará, estou curtindo muito cada oportunidade que ela me proporciona e agradecendo quando conheço pessoas como a Silvinha...ela me faz ter alegria em estar vivo!!!


Marcelo Santos. [DEMOCORE] (aÊi)

























esse sou eu...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Plenária e as 22 prioridades da 1º conferência nacional da juventude

Depois de todas as propostas elaboradas e das respectivas leituras, os participantes seguiram para o almoço já na expectativa para o que viria logo a seguir. Considerados por muitos como o ponto alto da plenária, o momento interativo foi uma “loucura” total, com delegados de todos os grupos fazendo muita campanha para que os outros delegados votassem nas suas propostas de destaque, mas como assim votar nas propostas?




É que esse momento interativo visa dar maior participação de todos os delegados em todas as propostas apresentadas, elegendo as 22 prioridades em políticas públicas para a juventude das 63 apresentadas na plenária no período da manhã, para tal, cada um ganhou uma cartela contendo 10 adesivos que seriam colados em cartolinas com as propostas que cada um deseja apoiar e as 22 prioridades sairão dos maiores votados neste processo. Portanto, foi à hora de conseguir o maior número de votos possíveis para a sua proposta e estes votos foram conseguidos na força de vontade, ou seja, NO GRITO! Com cada um fazendo o que podia para chamar a atenção do maior número de delegados possíveis. Dentro desta verdadeira epopéia política, aconteceram momentos muito emocionantes, como a deficiente visual Daiane montoalli que pedia votos para a sua causa, a de fortalecimento das políticas para os portadores de deficiência física, o GT de meio ambiente, que conquistava votos no grito e comemorava muito a cada voto conseguido, o GT jovens negros e negras, que apostava no debate para conseguir mais votos para duas propostas distintas, além de todos os outros GTs, que fizeram do momento interativo um verdadeiro sucesso.


Já na plenária para aprovação das 22 propostas foi tomada pela emoção e pela mesma garra política demonstrada no momento interativo, com ampla participação de todos os GTs com muita comemoração a cada prioridade elegida. A deputada Manuela deu as boas vindas ao público falando da importância deste evento dizendo que: “-para que sejamos o futuro de um grande país, temos que ter os direitos diversos garantidos agora! (...)” no que se seguiu uma grande salva de palmas dos presentes. O relator explicou como seria o processo de eleição das prioridades, de 4500 propostas nos sete meses antes da conferência para 24 propostas, sendo que dessas 24, 18 seriam automaticamente aprovadas e as outras seis propostas que sobraram seriam votadas e dessas sairiam quatro, que totalizariam 22 prioridades.



A primeira ação foi “desempatar” duas propostas em número de votos, no quesito cidades, sendo que uma foi aprovada por ampla maioria dos votos. Logo após, e ele teve dificuldade para a leitura das 22 prioridades eleitas pelos delegados e delegadas, pois “teve de tudo”, manifestações de apoio ao presidente Lula, manifestações de repúdio a partidos de direita presentes, gritos ensandecidos de uma emoção que beirou as lágrimas e até mesmo uma quebra de protocolo com uma comemoração linda do GT jovens negros e negras, que conseguiram aprovar a sua proposta como a primeira prioridade dentre as 22 resoluções da conferência, uma vitória merecida para este povo que sempre esteve a margem da sociedade e sempre foi muito discriminado e que atuou de maneira impressionante em questão de mobilização.



Mas os momentos de emoção não pararam por aí, pois o momento mais emocionante da conferência com certeza absoluta foi à aprovação por unanimidade de votos da proposta do GT pessoas com deficiência, que não foi aprovado dentre as 18 propostas auto-aprovadas, sendo que esta nem precisou de defesa, pois as pessoas aos gritos de APROVADA, APROVADA conseguiram que ela passasse sem votação como 19º proposta, o que deixaram todos muito emocionados, principalmente os defensores da proposta. Também muito comemoradas foram as vitórias do GT jovens do campo que aprovaram também resoluções referentes às suas expectativas e desejos.


Uma manifestação impensável, irresponsável e até mesmo inaceitável foi à vaia à aprovação da proposta referente à educação e elevação da escolaridade, pois todos os processos políticos, sociais e todos os desenvolvimentos posteriores das pessoas e sua conseqüente relação com o mundo são baseados no que nossas crianças aprendem no ensino básico, portanto antes de qualquer iniciativa de fomento a qualquer desenvolvimento estudantil se deve pensar na educação básica, pois sem ela não haverá acesso a faculdade e ao ensino médio.



Confiram aqui quais foram as 22 propostas aprovadas como prioridades na primeira conferência nacional da juventude por políticas públicas.

1º Jovens negros e negras – 634 votos
Reconhecimento e aplicação pelo poder público, transformando em políticas públicas de juventude as resoluções do 1º encontro nacional de juventude negra (ENJUVE), priorizando as mesmas como diretrizes étnico-raciais de / para / com a juventude.

2º Educação básica – elevação da escolaridade – 547 votos
Destinar parte da verba da educação no ensino básico para o modelo integral e pedagógico do CIEP’s ( Centros In­tegrados de Educação Pública).
3º Fortalecimento institucional – 531 votos
Aprovação pelo Congresso Nacional do marco legal da juventude: regime de urgência da PEC n.º 138-B/2003, Plano Nacional de Juventude e Estatuto dos Direitos da Juventude PL 27/2007.

4º Meio ambiente – 521 votos
Criar uma política nacional de juventude e meio ambiente que inclua o “Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente”, institucionalizado em PPA (Plano Plurianual), com a participação dos jovens nos processos de construção, execução, avaliação e decisão, bem como da Agenda 21 da Juventude que fortaleça os movimentos juvenis no enfrentamento da grave crise ambiental global e planetária, com a construção de sociedades sustentáveis

5º Esporte – 520 votos
Ampliar e qualificar os programas e projetos de esporte, em todas as esferas públicas, enquanto políticas de Estado, tais como os programas Esporte e Lazer da Cidade, Bolsa Atleta e Segundo Tempo com núcleos nas escolas, universidades e comunidades, democratizando o acesso ao esporte e ao lazer a jovens, articulados com outros programas existentes.

6º Juventude do campo – 515 votos
Garantir o acesso à terra ao jovem e à jovem rural, na faixa etária de 16 a 32 anos, independente do estado civil, por meio da reforma agrária, priorizando este segmento nas metas do Programa de Reforma Agrária do Governo Federal, atendendo a sua diversidade de identidades sociais, e, em especial aos remanescentes de trabalho escravo. É fundamental a revisão dos índices de produtividade e o estabelecimento do limite da propriedade para 35 módulos fiscais.

7º trabalho – 471 votos
Reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salários, conforme campanha nacional unificada promovida pelas centrais sindicais.

8º educação superior 455 votos
Defendemos que a ampliação do investimento em educação é fator imprescindível para construirmos uma educação de qualidade para todos e todas e que consiga contribuir para o desenvolvimento do País. Para tanto, defendemos o investimento de 10% do PIB em educação. Para atingir este percentual reivindicamos o fim da desvinculação das receitas da união (DRU) e a derrubada dos vetos ao PNE (Plano Nacional de Educação). Reivindicamos que 14% dos recursos destinado as universidades federais seja destinado exclusivamente à assistência estudantil por meio da criação de uma rubrica específica. Defendemos também a ampliação dos recursos em assistência estudantil para estudantes do PROUNI e para estudantes de baixa renda de universidades privadas. Garantir a transparência e democracia na aplicação dos recursos.

9º Cultura – 453 votos
Criação, em todos os municípios, de espaços culturais públicos, descentralizados, com gestão compartilhada e financiamento direto do estado, que atendam às especificidades dos jovens e que tenham programação permanente e de qualidade. Os espaços, sejam eles construções novas, desapropriações de imóveis desocupados ou organizações da sociedade civil já estabelecidas, devem ter condições de abrigar as mais diversas manifestações artísticas e culturais, possibilitando o aprendizado, a fruição e a apresentação da produção cultural da juventude. Reconhecer e incentivar o hip hop como manifestação cultural e artística.

10º Política e participação – 428 votos
Criar o Sistema Nacional de Juventude, composto por Órgãos de Juventude (Secretarias/coordenadorias e outros) nas três esferas do Governo, com dotação orçamentária específica; Conselhos de Juventude eleitos democraticamente, com caráter deliberativo, com a garantia de recursos financeiros, físicos e humanos; Fundos Nacional, estaduais e municipais de Juventude, com acompanhamento e controle social, ficando condicionado o repasse de verbas federais de programas de projetos de juventude à adesão dos estados e municípios a esse Sistema.

11º Jovens mulheres – 378 votos
Implementar políticas públicas de promoção dos direitos sexuais e direitos reprodutivos das jovens mulheres, garantindo mecanismos que evitem mortes maternas, aplicando a lei de planejamento familiar, garantindo o acesso a métodos contraceptivos e a legalização do aborto.

12º Segurança – 365 votos
Contra a redução da maioridade penal, pela aplicação efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA

13º Política e participação – 360
Garantir uma ampla reforma política que, além do financiamento público de campanha, assegure a participação massiva da Juventude nos partidos políticos, com garantia de cota mínima de 15% para jovens de 18 a 29 anos nas coligações, com respeito ao recorte étnico-racial e garantindo a paridade de gênero; Mudança na faixa-etária da elegibilidade garantindo como idade mínima de 18 anos para vereador, prefeito, deputados estaduais, distritais e federais e 27 anos para senador, governador e presidente da República.

14º Outros temas – 336 votos
Fim da obrigatoriedade do serviço militar, e criação de programas alternativos de serviços sociais não obrigatórios.

15º Fortalecimento institucional – 313 votos
Criar o Sistema Nacional de Políticas Públicas de Juventude que confira status de Ministério à Secretaria Nacional de Juventude, exigindo que a adesão de estados e municípios seja condicionada à existência de órgão gestor específico e respectivo conselho de juventude. A partir de dezembro de 2009, os recursos do Fundo Nacional de Juventude, do ProJovem e demais programas de juventude, apenas continuarão a ser repassados aos estados e municípios que aderirem ao Sistema.


16º Povos e comunidades tradicionais – 303 votos
Assegurar os direitos dos povos e comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ciganos, comunidades de terreiros, pescadores artesanais, caiçaras, faxinalenses, pomeranos, pantaneiros, quebradeiras de coco babaçu, caboclos, mestiços, agroextrativistas, seringueiros, fundos de pasto, dentre outros que buscam ser reconhecidos), em especial da juventude, preservando suas culturas, línguas e costumes, combatendo todas as práticas exploratórias e discriminatórias quanto a seus territórios, integrantes, saberes, práticas culturais e religiosas tradicionais.

17º Cultura – 283 votos
Estabelecimento de políticas públicas culturais permanentes direcionadas à juventude, tendo ética, estética e economia como pilares, em gestão compartilhada com a sociedade civil, a exemplo dos Pontos de Cultura, que possibilitem o acesso a recursos de maneira desburocratizada, levando em consideração a diversidade cultural de cada região e o diálogo intergeracional. Criação de um mecanismo específico de apoio e incentivo financeiro aos jovens (bolsas) para formação e capacitação como artistas, animadores e agentes culturais multiplicadores.

18º cidadania GLBTT – 280 votos
Incentivar e garantir a SENASP/MJ a incluir em todas as esferas dos cursos de formação dos operadores/as de segurança pública e privada em nível nacional, estadual e municipal no atendimento e abordagem e no aprendizado ao respeito à livre orientação afetivo-sexual e de identidade de gênero com ampliação do DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Intolerância.

19º Jovens com deficiência – 239
Ratificação imediata da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU como emenda constitucional.

20º Jovem do campo – 274
Garantia de políticas públicas integradas que promovam a geração de trabalho e renda para o jovem e a jovem do campo, com participação da juventude na sua elaboração e gestão. Assegurando o acesso a terra, à capacitação e ao desenvolvimento de tecnologia sustentável apropriada à agricultura familiar e camponesa voltada para a mudança de matriz tecnológica. Transformar o Pronaf Jovem em uma linha de crédito para produção agrícola e não agrícola.

21º segurança – 277 votos
Assegurar, no âmbito das Políticas Públicas de Segurança, prioridade às ações de prevenção, promoção da cidadania e controle social, reforçando a pratica do policiamento comunitário, priorizando áreas com altas taxas de violência, promovendo a melhoria da infra-estrutura local, adequadas condições de trabalho policial, remuneração digna e a formação nas áreas de Direitos Humanos e Mediação de Conflitos, conforme as diretrizes apontadas pelo PRONASCI.

22º Cultura – 247 votos
Estabelecimento de cotas de exibição e programação de 50% para a produção cultural Brasileira, sendo 15% produção independente e 20% produção regional em todos os meios de comunicação (TV aberta e paga, rádios e cinemas). Valorização dos artistas locais garantindo a preferência nas apresentações e prioridade no pagamento. Entender os cineclubes como espaços privilegiados de democratização do áudio visual.

Mesmo com todas as polêmicas, brigas, reclamações e afins, a conferência nacional da juventude se encaminha para o final com um enorme saldo positivo no que tange as propostas de políticas públicas para a juventude. Estamos com essa conferência provando para o Brasil que a juventude é muito mais do que o estereótipo violento e marginalizado que a grande mídia propaga e que podemos, com união, sangue, força e luta promover discussões, resoluções e participar ativamente na construção de um país mais justo, equilibrado e sem discriminação. Agora a nossa parte como brasileiros é fazer com que essas propostas saiam do papel e tornem-se realidade para melhorar a vida de todos nós.



Como sempre, CONTAMOS COM VOCÊS!

Marcelo Santos

Karen Krsna

A Plenária: Aplausos e repúdio

Aplausos e repúdio

Karen Krsna e Marcelo Santos
29/04/2008

E a plenária começa! Dá-se início à corrida pela priorização das questões e temáticas e se espera que o final reflita os anseios da maioria das minorias. A meta é eleger 21 propostas, a serem consideradas prioritárias pelos poderes públicos quando o assunto for juventude. Isso mesmo: com a realização da 1ª Conferência Nacional de Juventude, os relatos reforçam que foi conquistado um olhar central sobre as questões da juventude brasileira e que a partir de agora as outras temáticas estão mobilizadas a se relacionarem com esta de maneira transversal.
Mas vamos passo por passo. A metodologia sugerida (e seguida) inicia as atividades com o relato dos grupos de trabalho. Cada relator tem 3 minutos para situar os delegados nas discussões que culminaram nas 6 propostas definidas por cada um (4 do tema específico e 2 de temas gerais).

Mas, para tudo! Como assim? Está tudo parado! Às 9h30 alguns delegados, que não preenchem nem 20% da plenária estão sentados, assistindo a clipes de músicas no telão (muito legais, Zeca Baleiro, Paralamas do Sucesso) e esperando... O início das atividades depende da finalização da reunião do Conselho Nacional de Juventude. Como assim? Toda a Conferência foi organizada por um excelentíssimo cerimonial que ajudou a criar um clima de congresso profissional. A espera pelos componentes da mesa de abertura da plenária – o presidente e a vice-presidente do CONJUVE, respectivamente, Sr. Danilo Moreira e Sra. Maria Virgínia Freitas – foi embalada por propaganda de eventos: o mestre de cerimônias ressaltou que a organização da conferência garantiu estrutura e condições de acesso a pessoas com deficiência, através de textos escritos em braile, tradutores das falas para linguagem de libras e o acesso para cadeirantes. O problema é: a essa informação deve ser dada a ênfase do “direito garantido” e não do “diferencial de mercado”. Sacou?


Gritos entalados foram soltos: uma delegada foi até a frente da mesa de cerimônias para arrumar a bandeira do GLBTT que estava dobrada. Prontamente o mestre de cerimônias se aproxima do microfone e alerta à plenária que, se essa aproximação à mesa fosse feita na presença dos seguranças do presidente Lula, provavelmente a sua vinda à conferência seria cancelada. Um ato de vandalismo? Ele foi vaiado e ali se fez presente um clima de insatisfação. Dada a largada, o clima começou a esquentar...
Aplausos

Direito à voz merece discurso! Quebrando protocolos do cerimonial da Conferência, alguns relatos foram bradados, emocionaram a plenária e se alongaram no tempo. Essas aclamações apontam para as propostas que têm provável lugar garantido na cota de 21 prioridades.
10 GTs indicaram a aprovação urgente da PEC da Juventude. Destaque para o GT de Fortalecimento Institucional da Política Nacional de Juventude, que também propõe a aprovação imediata pelo Congresso Nacional do Plano Nacional de Juventude e do Estatuto dos Direitos da Juventude PL 27/2007. Todos esses documentos compõem o marco legal da juventude, um complementa o outro e precisam ser vistos integralmente.

Não à redução da maioridade penal! Aclamação geral, com direito a fala de concordância do Presidente do CONJUVE. 9 GTs contemplaram essa questão. O GT de segurança complementou o tema, retomando a discussão do desarmamento, indicando que a juventude acompanhe a Campanha prevista para 2008. Com muita ênfase, que mereceu aclamação da plenária, levantou uma bandeira contra a marginalização da juventude das periferias.

Vale reproduzir trecho da quarta proposta do GT de Política e Participação. Essa recebeu muitos aplausos e foi definida, pela própria relatora, como uma proposta ultra-revolucionária. Propõe “mudança na faixa etária de elegibilidade garantindo como idade mínima de 18 anos para vereador, prefeito, deputados estaduais, distritais e federais e 27 anos para senador, governador e presidente da República”.

“Livre orientação sexual. Liberdade não faz mal”. O GT de Cidadania e GLBTT ressaltou a homofobia sofrida pela juventude. Clama pela liberdade de orientação sexual e criminalização da homofobia. As propostas desse grupo complementam as do GT de Sexualidade e Saúde que puxou a bandeira pelo tratamento da legalização do aborto como questão de saúde pública.

O GT Jovens Negros e Negras também destacou como principal luta das mulheres negras a legalização do aborto garantindo o direito da mulher sobre seu corpo. Comentou a dificuldade do grupo em resumir 408 anos de preconceito e infração de direitos humanos sobre os negros e negras em 6 propostas. E nas prioridades, bradou com muita beleza e força pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que também foi bandeira levantada pelo relator do GT Povos e Comunidades Tradicionais.

Os jovens querem trabalhar! Aplaudiram a proposta do GT Trabalho de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem implicar em redução de salários. Uma pauta importante do grupo também foi a garantia de assistência estudantil e do passe livre para os estudantes.

Educação não ficou de fora. A realização de 4 GTs na área reflete a importância do tema. É consenso! Foram muitas propostas relacionadas ao ensino superior, educação profissional e tecnológica e educação básica. Mais aplausos foram para o ensino médio, que teve muita coerência nas propostas. No destaque: regionalização dos materiais didáticos para contemplar a realidade de cada local, cada povo; acesso à escola, especialmente para jovens do campo que ainda dependem do pau-de-arara; expansão e qualificação do ensino público.
Repúdio!

À orientação dos facilitadores do GT de Drogas que, segundo relator, não conseguiu organizar as discussões. Os delegados tiveram que se preocupar com a gestão dos processos o que prejudicou o debate. Mas as propostas saíram e falaram de programas de incentivo ao esporte, lazer e cultura promovendo integração entre família, jovens, escolas e comunidades; criação de centros de tratamento acessíveis; maior controle em relação à entrada de drogas, armas e outros produtos ilegais no país.

À desorganização da Conferência, como nomeou o relator do GT de Povos e Comunidades Tradicionais. Afirma que ele foi um dos únicos delegados representantes dos povos que conseguiu chegar a Brasília, pois os outros foram “cortados”. Além disso, pede mais atenção às especificidades dos povos tradicionais, que os próximos encontros não façam um único GT, pois, as questões de cada povo nem sempre se encontram e é difícil priorizar quando se trata de diferentes realidades que pedem soluções contextualizadas. Principalmente, quando se trata da juventude. “Somos iguais, mas somos diferentes”, ressalta.

Ao uso do termo “portadores de deficiência”. A relatora deste GT indica que os próprios, movimentos e organizações que trabalham diretamente com eles não utilizam esse termo, pois eles não carregam uma deficiência da qual podem se livrar. São pessoas com deficiência e assim querem ser chamados e respeitados. Em sua fala diz com firmeza “Muitos de vocês com certeza nunca ter visto tantos cadeirantes, pessoas com deficiência mental e outras, juntos. Nós somos jovens e só queremos participar da vida como todos vocês!

E a comunicação?

A pauta da comunicação teve sua parcela de representatividade dentro da conferencia com um GT específico para tratar de propostas de políticas públicas voltadas para este campo e em conjunto com a inclusão digital. As principais, assim como em todas as outras propostas, ficaram por conta da universalização do acesso a produção e veiculação de comunicação, a formação de professores e mediadores jovens para produção de projetos de comunicação e inclusão digital, a administração de tais projetos pelos próprios jovens, a reinvidicação por espaço na grade televisiva, além de ações para reconhecer e ampliar as concessões para rádios comunitárias, desburocratizando o sistema de concessão de transmissão de sinal radiofônico com um órgão de fiscalização próprio. Por último, mas não menos importante, fortalecer os sistemas públicos de comunicação estadual e federal onde já existam a criar nas demais localidades com a mobilização da juventude para criar uma programação voltada aos interesses da juventude e a participação do jovem da elaboração dessa programação.

Mas não apenas o GT de comunicação exaltou a importância da mesma, pois outros GTs também manifestaram propostas de políticas de comunicação, principalmente no que tange ao acesso universal as ferramentas de produção e a veiculação de programações que sejam condizentes com sua realidade. Foi o caso do GT do campo que dentre outras elaborou propostas no sentido de implementar infra-estrutura para a inclusão digital no campo e democratizar o acesso aos recursos e instrumentos de produção cultural.

Já o pessoal do GT de jovens portadores de deficiência frisou o uso da comunicação para incluir o deficiente no ciclo de informações sobre direitos e especificidades dos portadores de deficiência, desmistificando estigmas e garantindo o direito de expressão comunicativa e maior participação desses jovens na mídia, como forma de combater a discriminação.

O pessoal do GT Cidadania GLBTT reivindica por sua vez a veiculação de material na mídia com adolescentes GLBTT sobre AIDS. O GT de tempo livre e lazer fez reivindicações semelhantes as do GT do campo, no que tange ao acesso as ferramentas tecnológicas para o desenvolvimento local a partir da criação de centros públicos e gratuitos e o GT de cultura reivindica uma cota de transmissão de produções culturais brasileiras, sendo 15% de veiculações independentes e 20% de programação regional em todos os meios de comunicação de todas as esferas.

Como se pode perceber, a juventude está muito ligada a questão do acesso as ferramentas de comunicação como um todo e desejo acima de tudo que sejam fornecidas condições e políticas públicas que atendam as demandas de crescimento e desenvolvimento local.

Juventude do campo quebra mais protocolos.

O relato do GT de Juventude do Campo foi dos mais emocionantes. A relatora dá continuidade aos repúdios e registra que o material distribuído nas mochilas para os delegados, que reúne as discussões e propostas feitas nas conferências livres, municipais e estaduais, não trás as questões relacionadas ao campo. Além disso, o GT Juventude do Campo precisou ser conquistado aqui mesmo, na Conferência, pois não estava previsto.

Para justificar a importância desse recorte temático da juventude, provoca uma reflexão: “Enquanto as capitais discutem inclusão digital, nós, do campo, lutamos pela instalação de redes elétricas em nossa cidade”. Com isso, ela garantiu ao longo da sua fala, com aclamação da platéia, o tempo necessário para expor cada proposta e explicá-las. Também pediu licença para o fato do GT ter feito 6 propostas direcionadas ao campo e não ter tido tempo de sugerir questões gerais. Mas, ao mesmo tempo, as propostas giram em torno de diversos temas transversais: educação do campo; trabalho e renda; cultura, esporte, lazer e comunicação; saúde; meio ambiente. Como esperado, além desses, a questão o acesso à terra e reforma agrária foi trazida como a principal bandeira e provocou grito de guerra dos jovens delegados representantes do campo.